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# CEN e CENELEC publicam as primeiras seis normas harmonizadas DPP — qr3.app Blog

> EN 18216 a EN 18223 definem a base técnica do Passaporte Digital de Produto da UE. Saiba o que as seis normas regulam e o que isso significa para os fabricantes.

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30 de junho de 2026 6 min de leitura [Notícias do setor](/pt/blog/category/industry-news/) [dpp](/pt/blog/tag/dpp/)[cen-cenelec](/pt/blog/tag/cen-cenelec/)[en-18216](/pt/blog/tag/en-18216/)[batteriepass](/pt/blog/tag/batteriepass/)[espr](/pt/blog/tag/espr/)[gs1-digital-link](/pt/blog/tag/gs1-digital-link/)[normung](/pt/blog/tag/normung/)

# CEN e CENELEC publicam as primeiras seis normas harmonizadas DPP

EN 18216 a EN 18223 definem a base técnica do Passaporte Digital de Produto da UE. Saiba o que as seis normas regulam e o que isso significa para os fabricantes.

por **QR3 Redaktion**

![CEN e CENELEC publicam as primeiras seis normas harmonizadas DPP](https://qr3-blog-agent.meistern.workers.dev/cdn/blog/dpp-harmonized-standards-en18216-18223-20260630/hero.png)

## Seis normas, uma base

Em 1º de junho de 2026, CEN e CENELEC publicaram as primeiras seis normas europeias harmonizadas para o Passaporte Digital de Produto (DPP) — a série de normas EN 18216 a EN 18223, elaborada pelo Comitê Técnico JTC 24. Pela primeira vez, existe uma estrutura vinculativa e transversal a produtos que sustenta tecnicamente a interoperabilidade e a consistência dos dados entre fabricantes, cadeias de suprimentos e autoridades.

O momento não é por acaso: o [Regulamento ESPR (Ecodesign for Sustainable Products Regulation)](https://eur-lex.europa.eu/legal-content/DE/TXT/?uri=CELEX%3A32024R1781) estabelece o DPP como instrumento central da transparência dos produtos. Para baterias industriais, o [Regulamento de Baterias (UE) 2023/1542](https://eur-lex.europa.eu/legal-content/DE/TXT/?uri=CELEX%3A32023R1542) já será aplicado a partir de 18 de fevereiro de 2027. As novas normas fornecem a linguagem técnica na qual esse passaporte deverá se comunicar.

Em 25 de junho de 2026, CEN e CENELEC realizaram um webinar público no qual os conteúdos das normas foram explicados — um sinal de que os organismos de normalização pretendem acompanhar ativamente a fase de implementação.

## O que as normas EN 18216 a EN 18223 regulam

As seis normas abrangem cinco camadas funcionais que, juntas, formam a infraestrutura técnica de um DPP:

### Protocolos de troca de dados e modelos de dados

A EN 18216 estabelece a arquitetura básica: como os dados são estruturados, referenciados e trocados entre sistemas. Isso inclui a interoperabilidade semântica — ou seja, a capacidade de diferentes sistemas não apenas transmitirem pontos de dados, mas também interpretá-los corretamente. Sem essa camada, cada fabricante seria obrigado a desenvolver interfaces proprietárias, o que tornaria, na prática, impossível a troca de dados entre fronteiras.

### Identificadores exclusivos e suportes de dados

Uma das definições mais importantes na prática diz respeito à ligação entre o produto físico e o conjunto de dados digital. Na prática, essa conexão é feita por meio de um GS1 Digital Link — um URI padronizado que codifica GTIN e o número de série e aponta para o conjunto de dados DPP associado. As normas determinam quais formatos de identificadores são permitidos e como os suportes de dados (código QR, RFID, Data Matrix) devem estabelecer a conexão legível por máquina.

Para os fabricantes que já utilizam códigos QR nos produtos, isso representa uma orientação direta: códigos QR estáticos que apontam para uma URL imutável não atendem aos requisitos se não houver um conjunto de dados atualizável por trás deles.

### Armazenamento de dados e direitos de acesso

As normas também regulam onde e como os dados DPP podem ser armazenados — de forma descentralizada no fabricante, com prestadores de serviços acreditados ou em modelos híbridos — e quais direitos de acesso se aplicam a diferentes atores (consumidores, autoridades, empresas de reparo, recicladores). Essa diferenciação é relevante do ponto de vista regulatório: nem todos os pontos de dados são igualmente visíveis para todos os atores.

## A questão do registro: ainda em aberto, mas urgente

Paralelamente às normas, a Comissão Europeia trabalha em um registro central por meio do qual todos os DPPs deverão ser registrados e localizados. A [Orgalim](https://orgalim.eu/), associação industrial europeia do setor de tecnologia, formulou requisitos claros a esse respeito: o registro deve oferecer suporte a processos automatizados de registro em alto volume e estar protegido contra interrupções operacionais.

Isso não é uma exigência acadêmica. Um fabricante de motores elétricos que produz dezenas de milhares de unidades por dia não pode depender de processos manuais de registro. As normas criam a linguagem técnica — mas a infraestrutura na qual essa linguagem opera ainda precisa ser fornecida pela Comissão.

Para as empresas que já trabalham com processos de importação em massa de dados de produtos, esse é um ponto crítico: o próprio armazenamento de dados deve ser estruturado de modo a permitir uma conexão perfeita com um futuro registro.

## Passaporte de Baterias como teste de estresse: dados dinâmicos como problema central

O Regulamento de Baterias é o primeiro e, até o momento, mais exigente caso de aplicação do DPP. Ele determina expressamente que determinados pontos de dados devem permanecer atualizáveis durante todo o ciclo de vida de uma bateria — entre eles, State of Health (SoH) e State of Charge (SoC).

Isso é tecnicamente desafiador: SoH e SoC mudam a cada ciclo de carga e descarga. Para baterias que continuam sendo utilizadas em uma segunda vida — por exemplo, como armazenamento estacionário após o uso em um veículo elétrico —, dados atuais sobre o estado não são apenas exigidos pela regulamentação, mas também são economicamente relevantes. Um reciclador que não conhece o valor residual real de uma bateria não pode tomar uma decisão de compra fundamentada.

O [relatório de implementação da Minespider de 2026](https://minespider.com/) identifica dois pontos fracos estruturais que atravessam todo o setor: a fragmentação dos dados ao longo da cadeia de suprimentos e a ausência de processos para atualizações de dados dinâmicos. Quem preencher o passaporte uma única vez, no momento da colocação no mercado, e depois não o atualizar, não atenderá plenamente aos requisitos — e correrá o risco de enfrentar sérios problemas de conformidade a partir de 18 de fevereiro de 2027.

### BatteryPass-Ready: ambiente de testes desde 24 de junho de 2026

Um dia antes do webinar do CEN/CENELEC, em 24 de junho de 2026, o consórcio BatteryPass-Ready lançou um ambiente público de testes para o Passaporte Digital de Baterias. Fabricantes e integradores de sistemas podem validar suas implementações com conjuntos de dados de teste reais — uma etapa importante para aproveitar de forma produtiva o período entre a publicação das normas e a aplicação obrigatória.

## O que os fabricantes precisam fazer agora, concretamente

A publicação das normas marca a transição da discussão política para a implementação técnica. Para as empresas, isso resulta em uma necessidade clara de ação em três áreas:

**1. Verificar a arquitetura de dados**
A própria gestão de dados de produtos deve ser verificada quanto à compatibilidade com os modelos de dados da EN 18216 e seguintes. Formatos proprietários que não se baseiam em identificadores padronizados (GTIN, número de série) não funcionarão na infraestrutura DPP.

**2. Estabelecer processos de atualização dinâmica**
Especialmente para fabricantes de baterias, mas, em perspectiva, também para outras categorias de produtos regulamentadas, é necessário definir processos que permitam a atualização contínua dos dados do ciclo de vida. Isso diz respeito tanto à infraestrutura técnica (APIs, arquitetura de banco de dados) quanto aos processos organizacionais (quem atualiza quais dados e quando?).

**3. Definir uma estratégia de identificadores**
A escolha do suporte de dados e do formato do identificador tem consequências de longo prazo. Um código QR compatível com GS1 Digital Link que aponte para um conjunto de dados atualizável é hoje a solução tecnicamente mais robusta — e corresponde ao que as normas pressupõem implicitamente.

## Análise: normas como condição necessária, mas não suficiente

A publicação da EN 18216 à EN 18223 é um passo importante — mas não representa o fim. As normas criam interoperabilidade técnica, mas não resolvem os desafios organizacionais e econômicos da obtenção de dados ao longo de cadeias de suprimentos complexas. Especialmente para empresas com muitos fornecedores, continua em aberto a questão de como os dados de matérias-primas e componentes serão estruturados e integrados de forma confiável ao DPP.

Os próximos meses mostrarão com que rapidez a indústria transferirá as novas normas para sistemas produtivos — e se a Comissão conseguirá acompanhar o ritmo de implementação com a conclusão do registro central.

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